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02 de setembro de 2009, 12:42
Por Fabricio

2009, o ano de Darwin!

Em 2009, comemora-se 200 anos do nascimento de Charles Darwin e 150 anos de publicação do seu livro “A Origem das Espécies”. Nascido em 12 de fevereiro de 1809, Darwin revolucionou o pensamento científico. Para celebrar o ano de Darwin e abordar as influências que sua teoria provocou no conhecimento moderno, o Blog Filosofia da Mente e Cognição traz este mês uma matéria dedicada ao pensamento darwiniano, confira!

  

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Categorias: Crônicas, Rio do Sul
30 de julho de 2009, 13:29
Por Fabricio

Florianópolis recebe o VI Simpósio Internacional Princípia

A capital catarinense vai receber entre os dias 3 e 6 de agosto, o VI Simpósio Internacional Princípia, que este ano tem por tema Charles Darwin e seu impacto sobre a filosofia e ciência.

Os cinco simpósios anteriores foram dedicados, respectivamente, à Princípios na Filosofia e nas Ciências (1999), A Filosofia de Bertrand Russell (2001), A Filosofia de Willard Van Orman Quine (2003), A Filosofia de Donald Davidson (2005 ), e A Filosofia de Bas van Fraassen (2007).

A sexta edição do Princípia está sendo organizada pelo Grupo de Pesquisa Epistemologia e Lógica (NEL-UFSC) em associação com o Princípia, e apoiado pela Graduação em Filosofia e pelo Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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Programação Geral:
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Além da principal sessão sobre Darwin, também serão realizadas sessões paralelas com os seguintes temas: Filosofia e História da Ciência, Lógica e Filosofia da Linguagem, Epistemologia , Ética e Filosofia das Ciências Humanas, e Metafísica e Filosofia da Mente.

Também haverá reuniões dos seguintes grupos de investigação que pertencem à Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (ANPOF): Lógica, Filosofia da Ciência e Ética
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Evento: VI Simpósio Internacional Princípia
Tema: Charles Darwin e seu impacto sobre a filosofia e ciência.
Dias: 3 a 6 de agosto
Local: Hotel Maria do Mar

Mais informações e a programação completa do evento você confere no link: Princípia
Edição: Rafaela Sandrini

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19 de junho de 2009, 13:49
Por Fabricio

Entrevista com Nivaldo Machado

O blog Filosofia da Mente e Cognição traz este mês uma entrevista exclusiva com o estudioso Nivaldo Machado. Machado é um dos três doutores no Brasil em Filosofia da Mente e há cinco anos está à frente do Grupo de Pesquisa em Filosofia da Mente e Cognição da Unidavi. Nesta conversa, ele fala sobre a equipe de pesquisa, os estudos em Filosofia da mente e os desafios da Inteligência Artificial. Confira a entrevista no blog!

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17 de maio de 2009, 09:25
Por Fabricio

Interessante

A diferença entre TU E VOCÊ

Este é um pequeno exemplo que ilustra muito bem esta diferença:
O Diretor-Geral de um Banco estava preocupado com um jovem e brilhante
Diretor, que depois de ter trabalhado durante algum tempo com ele, sem
parar nem para almoçar, começou a ausentar-se ao meio-dia.
Então, o Diretor-Geral do Banco chamou um detetive e disse-lhe:

- Siga o Diretor Lopes durante uma semana no horário de almoço.
O detetive, após cumprir o que lhe havia sido pedido, voltou e informou:
- O Diretor Lopes sai normalmente ao meio-dia, pega o seu carro, vai à sua
casa almoçar, faz amor com a sua mulher, fuma um dos seus excelentes
cubanos e regressa ao trabalho.
Responde o Diretor Geral:
- Ah, bom, antes assim. Não há nada de mal nisso.
Logo em seguida, o detetive pergunta:
- Desculpe. Posso trata-lo por TU?
- Sim, claro! Respondeu o Diretor surpreendido!
- Bom, então vou repetir:
O Diretor Lopes sai normalmente ao meio-dia, pega o teu carro, vai a tua
casa almoçar, faz amor com a tua mulher, fuma um dos teus excelentes
cubanos e regressa ao trabalho.

*A língua portuguesa é mesmo fascinante!

Categorias: Crônicas, Humor
16 de maio de 2009, 09:05
Por Fabricio

Blog Filosofia da mente e cognição

O que é Ciência?

Além do respaldo e credibilidade adquiridos na mídia, a ciência sempre foi valorizada por seus resultados práticos, por suas descobertas e pela capacidade de nos libertar de velhas crenças, velhas certezas e preconceitos.  Mas você saberia definir o que é ciência?

É na tentativa de responder essa questão que o Grupo de Pesquisa em Filosofia da Mente e Cognição da Unidavi traz este mês em seu portal, uma reflexão interessante e aprofundada sobre o tema. A reportagem além de diferenciar ciência de senso comum, aborda algumas das perspectivas do filósofo da ciência Karl Popper (1902-1994) sobre o assunto. A matéria completa você confere no blog.

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15 de abril de 2009, 08:12
Por FAL

Velhos amores, novos amigos!

Em 18 de Janeiro de 2001, JACOBFOX disse:
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… Encoste a geladeira um pouco mais no canto. Isso, assim. Agora só falta a mesa da sala do jantar. Tomem cuidado com o vidro. Não quero me incomodar quando minha mulher voltar.
Ufa! Acabou. Fazer mudança é o tipo de coisa que eu aprendi a odiar em apenas duas únicas situações. Uma, quando me casei e fui morar com Lindaura e outra agora, quando brigamos e fui embora. Mas ela vem ao meu encontro, não sei porque, tenho essa certeza. Tenho a nítida impressão de que ela está muito triste e abatida com minha ausência. Eu sei, sou muito ciumento e resolvi sair de casa assim, de repente. Não consigo até nem me lembrar porque fiz isso. Mas podem se passar dias, meses ou até anos e ela virá.

* * *
- Olá vizinho! Seja bem vindo ao Jardim das Hortências. Qual é o seu nome?
- Oi, tudo bem?! Meu nome é Gustavo, terminei minha mudança hoje. É muito cansativo mexer com móveis pra lá e pra cá. Não tenho muita prática, mas acho que ficou muito bom.
- É, mudanças são sempre estressantes. Mas vai valer à pena. Você vai gostar, o lugar aqui é muito tranqüilo.
- Sem dúvida. Separei-me de minha mulher e não tinha onde morar. Coloquei os olhos nessa casa e como que por encanto eu já estava fazendo as malas e vindo direto para cá. O lugar é belíssimo!
- Havia muita gente ontem ajudando na sua mudança. Gente cantando, andando de um lado para outro, gente inconformada, o que é natural. O que você fazia antes de acontecer tudo isso?
- Sou gerente em uma grande multinacional. Mas com certeza os inconformados eram os meus pais. Gostam muito de Lindaura, minha mulher, e não admitem essa separação.
- Gustavo, diga-me uma coisa. Você tem idéia do que está acontecendo?
- Lógico. Daqui pra frente, mesmo que provisoriamente, sou um homem sozinho, separado. Mas tenho saudades de Lindaura e principalmente de minha filha Joana, que já tem doze anos. Aliás, ontem antes de sair, prometi que a visitaria ao menos três vezes por semana. E ela, talvez por influência da mãe, sequer me olhou nos olhos. Foi como se eu estivesse falando para as paredes.
- E realmente foi isso que aconteceu. A menina não olhou em seus olhos porque você já não estava mais ali.
- Que loucura é essa? Você bebeu?
Não Gustavo, não bebi. Vou lhe explicar tudo. No mundo em que vivemos há pessoas que, quando se desprendem do campo material, instantaneamente convertem sua consciência em espírito se desprendendo de tudo que viveram e tendo a exata noção de que aquilo foi somente um passo na longa caminhada para se alcançar uma espiritualidade evoluída. Não sentindo rancor, ódio, medo e nem mesmo amor pelas pessoas que ficaram para trás. Somente uma infinita paz. O que não foi o seu caso.
Gustavo, ontem à noite, após saírem de uma festa, houve uma briga entre você e sua mulher. Você se sentiu enciumado porque achou que ela estivesse flertando com outro homem. Deixou-a no estacionamento e saiu com o carro em disparada. Já no primeiro sinal dois assaltantes lhe renderam com uma arma para roubar-lhe o carro. Você reagiu, levou dois tiros na cabeça e morreu naquele instante.
- Você só pode estar louco!!
- Não existe loucura onde nós estamos. Lembra-se quando você me falou sobre a sua mudança? Isso nunca aconteceu. São resquícios de sua consciência material. Aqui não há casas, nem ruas, nem carros. Nós estamos no Cemitério Jardim das Hortências onde só há um imenso gramado, flores e os nossos restos materiais. É o primeiro passo para seguir na evolução de nossos espíritos. As pessoas que cantavam inconformadas eram seus entes queridos em uma última despedida. Mas todos, sem exceção, você vai encontrar novamente. O tempo pode ser um segundo apenas, ou uma eternidade. Esse é o conceito de pecado interpretado de forma diferente no plano terreno.
- Eu não merecia isso. Amava minha mulher, minha filha Joana, tinha planos para crescer profissionalmente, amava a vida. Sonhava com tantas coisas ainda.
- Gustavo, receba isso como uma dádiva. Você desencarnou muito jovem e isso foi um presente de Deus. Cada passo que você dá, está chegando mais perto Dele. Amanhã os amores da sua história não mais terão importância, caminhar passo a passo na direção de Deus será o seu desejo. Logo outros virão em tua direção e o que não lhe compreendido hoje, amanhã será a explicação para seus novos amigos, tal como eu lhe sou agora.
- Morri, mas estou vivo em espírito. Então, para mim o grande mistério já foi revelado. Os velhos amores ainda virão. E novos amigos, acho que já os tenho. Assim seja!!

Categorias: Crônicas
12 de abril de 2009, 18:00
Por FAL

A Curva da Linha Reta

Em 1 de novembro de 2000 JACOBFOX disse:

jacob_big

A chuva batia forte na janela da cozinha. A penitenciária era a São Lucas. Tomaz trabalhava todos os dias lá e além de cumprir rigorosamente o que o destino lhe impôs, sobrava-lhe tempo para as lembranças de sua juventude. Por aquela janela sempre via um galpão ao fundo do terreno, esse bem parecido com aquele de sua tenra adolescência, onde aprendera a maior lição de sua vida.
Tomaz era menino nascido em berço de ouro. Filho de pai fazendeiro e dono de vastas extensões de terra, tinha uma família bem estruturada. Exceto por sua mãe ter morrido quando ainda tinha apenas treze anos, nada lhe faltava. Somente o amor de pai já lhe encobria como se fossem ambos. Um compreensivo mandatário de um verdadeiro exército de funcionários, seu pai não lhe permitiu que trabalhasse até que completasse vinte e um anos. Tomaz, menino rico e despreocupado, fazia o que lhe convinha. Tinha um irmão de mesma idade, que mais tarde viria a morrer, o qual saboreava os prazeres da vida com os excessos que supunha eram adequados ao padrão que levavam. Mas a vida não é uma simples linha reta traçada em um pedaço de papel.
Já a partir dos quatorze anos, seu irmão já começava a trazer os amigos da cidade e faziam grandes festas nas quais ficavam se refestelando até o raiar do dia. A bebida e a comida eram fartas. Os interesses também. Sentia-se um verdadeiro rei quando um sem número de ligações, quase diariamente, lhe chamava a convite para festas badaladas. Não raro patrocinava grande parte delas. Não se preocupava com o dinheiro, achava que era feito para isso. Gostava de colecionar carros os quais, com freqüência apareciam batidos no gramado de casa. Quando completou vinte e um anos seu pai, conforme o prometido, e já cansado de aturar calado os excessos do filho, o chamou a conversar:
- Filho, já és um homem e aproveitaste todos os prazeres de tua juventude. Fizeste muitos amigos, viajaste bastante, conheceste a riqueza de outros mundos e a miséria também. Nada nessa vida é para sempre. Se não tiveres cuidado e apreço às tuas coisas, o que hoje te passa despercebido amanhã te será de grande valia. É o ciclo da vida.
-Papai, não estás tão velho ainda. Mamãe já se foi e não há nada em que possas te ocupar senão com a nossa riqueza. A vida me deu tanto, sou um jovem atraente, inteligente e tenho muitos amigos. A sorte me acompanha e sei que não vai me abandonar. Espera que um dia estarei pronto.
E assim se sucedeu. As festas continuaram e as brigas se tornaram constantes. A fortuna começava a desmoronar e seu pai já muito doente e em seu leito de morte, lhe fez um último pedido:
- Filho, não tenho mais forças para seguir contigo. Trabalhei minha vida inteira para ti. Sempre quis estar ao teu lado. Brigamos muito e nunca guardaste um minuto sequer para me ouvir. Tudo que te pedi me foi negado em favor da tua liberdade e do teu prazer. Mas agora meu filho, estou morrendo. Quero que tu realizes um só desejo, coisa que em minha vida nunca o fizeste. No rancho atrás dessa casa, onde antes ficavam as vacas de leite, bem ao fundo, há uma viga com uma corda pendurada. Eu vou morrer e tu ficarás sozinho. Quando tiveres gasto tudo e não tiveres mais dinheiro nem amigos, quando o telefone não tocar mais, quando não tiveres mais carro e nem destino, pendura-te naquela corda e realiza o último desejo de teu pai.
Sem demora seu pai morreu. E sem demora também o dinheiro acabou, as festas, todos os amigos sumiram e ele se sentia perdido e transtornado. Passaram-se cinco anos e só lhe restaram a velha casa e o rancho.
Certa manhã recordou que não havia cumprido nem o último desejo de seu pai. Realizar aquele desejo, apesar de lhe subtrair a vida, seria a sua redenção. E assim o fez. Foi ao rancho, pegou uma escada, amarrou a corda no pescoço e se lançou abaixo.
Fazia muito tempo que seu pai lhe havia feito esse pedido. O rancho estava velho, a madeira estava podre e o peso de seu corpo fez romper a viga. Ele caiu de costas no chão com os braços abertos e ouro, muito ouro, jóias e diamantes lhe caíram sobre o corpo. Apesar de tudo, seu pai o havia perdoado e lhe dado mais uma chance. Naquele exato instante ele descobriu a verdadeira bondade de Deus.
Aquele era Tomaz, filho único, que sempre dizia aos outros, a partir daquela data, tinha um irmão que morreu enforcado. O Tomaz de antes, inconseqüente e insensível.
Tomaz doou toda sua fortuna e hoje trabalha na penitenciária de segurança máxima de São Lucas com grupos de famílias que tiveram seus filhos assassinados por aqueles presos. Tenta ensinar o perdão, palavrinha que com muita dificuldade aprendeu o valor e o enorme significado.

Categorias: Crônicas
09 de abril de 2009, 13:27
Por FAL

O castelo perdido

Em 20 de outubro de 2000 JACOBFOX disse:

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Hoje acordei mais tarde. Minha cabeça dói, minha alma também. Estou cansado de mim e dessa estupidez insana de beber whisky barato todos os dias. É o apego ao passado. Apego aos tempos em que me sentia feliz por qualquer coisa, qualquer bobagem que dissessem na janela do meu quarto, quando me chamavam para sair e correr as putas da cidade. O whisky barato doía, mas tinha o gosto suave da juventude. As pessoas, as andanças, as quebradas, tudo era engraçado. Morava num circo enorme com uma platéia de lesmas e sanguessugas acompanhando cada passo desse palhaço saltitante.
Tinha sempre uma bala na agulha. Tá certo, às vezes, o tiro insistia em sair pela culatra, mas eu atirava bem e muita dessas vezes acertei no coração.
Não nego que fiz muita bobagem também. Porém se não tivesse cometido nenhum deslize, falado o que não devia, passado a perna em alguns, empurrado ladeira abaixo outros, de que me ocuparia hoje? Os remorsos, as faltas, as saudades dos amores e amigos é que tomam minha memória enquanto o whisky, toma meu físico. Quando não vou ao médico tentar enganar essa úlcera maldita que me corrói as entranhas, fico sentado que nem um imbecil, nessa velha cadeira de balanço que ganhei de esmola de um jovem retardado que eu sei, um dia sentará aqui, ulceroso, bem depois que eu morrer.
Todo velho estúpido tem úlcera e quanto maior a estupidez maior é o sofrimento. E eu sofro muito. Não por ser velho nem por ser estúpido. Tampouco por essa úlcera maldita. Sofro porque poderia ter aproveitado mais a essência da vida.
Poderia ter conversado e escutado mais os meus queridos pais. É, mas eles eram velhos, como eu sou hoje.
Poderia ter sentido mais o chão e a terra sob meus pés. Não achei que era preciso para quem tinha asas e queria subir mais e mais no infinito.
Poderia ter beijado mais rostos e menos bocas, abraçado mais e transado menos. Impossível. Sentia-me um jovem potente e insaciável, desejoso pelo prazer fútil da carne.
Poderia ter olhado mais para baixo e notado que o conceito de pequeno ou grande era apenas expressão da força do dinheiro. Mas não. Minhas patas eram grandes e o som de pisar nas formigas ecoava em meus ouvidos como um concerto de música.
Poderia ter folheado mais álbuns de família e menos extratos de bancos. É, mas o dinheiro e as minhas ambições sempre mereciam mais atenção, esquecendo de que por amor fui concebido.
Poderia fazer tantas coisas de um modo diferente e mais digno e não fiz. Esqueci-me que a vida, como um punhado de areia entre minhas mãos, foi se esvaindo até restarem pequenos grãos que não conseguem mais construir um castelo de areia na praia, para que pudesse sentir o calor do sol e visse a imensa bondade de Deus através da beleza do mar.
A única coisa que eu posso hoje é beber esse whisky barato e ruim e torcer para que, a cada gole, se vá o resto que ainda há de minha estupidez de vida.

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07 de abril de 2009, 09:00
Por FAL

A boa distribuição de renda no Brasil

Em 14 de Outubro de 2000 JACOBFOX  disse:

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Cansado da vida cotidiana das grandes metrópoles, onde São Paulo se enquadra perfeitamente desde a pobreza às infinitas opções de lazer, Lupércio tomou uma decisão radical de mudar sua vida. Homem honesto e íntegro, ciente de suas responsabilidades como chefe de família, pois tinha mulher e dois pequenos diabinhos, um com cinco, outro com doze anos que já ensaiava algumas ligações a filhas de amigos seus, sentia que a mudança era necessária e urgente.
Havia semanas que freqüentava assiduamente o bar de Nicolau, bem próximo a seu prédio e a cada dia chegava em casa mais bêbado, isso quando não dormia por lá mesmo. No último dia de beberança e após um litro de whisky e algumas doses de conhaque, lançou-se escada acima (eram quatro andares que tinha de subir e já estava cansado de vomitar no elevador) abriu a porta de seu apartamento e no escuro mesmo foi direto até a sala de estar, onde na parede havia um enorme quadro que mapeava toda a América do Sul. Parou em frente ao quadro e pensou consigo mesmo: - Vou acender meu isqueiro em algum ponto no mapa. Onde a chama iluminar é aonde daqui para frente vamos morar. E dito e feito. O ponto iluminado foi Caracarai, perto da divisa do Brasil com a Venezuela. No dia seguinte fizeram as malas e foram morar em Caracas, capital da Venezuela.
A cada dia Lupércio surpreendia mais sua família. Fez uma rápida pesquisa de mercado na cidade e descobriu uma carência enorme no ramo de casas de show. Cíntia, sua mulher, meio a contragosto, aceitou. E assim, inauguraram a boate Brasil em referência ao país que tanto amavam mas não entendiam.
Foi um sucesso. Nos primeiros meses havia somente doze meninas contratadas , o que logo se multiplicou, chegando a setenta e seis periquitas, como assim gostava de chamar Lupércio. Era interessante a cultura do povo da Venezuela. No início as periquitas dançavam e brincavam com os clientes de maneira bem impessoal. Mas com o tempo se engalfinhavam entre si e rasgavam suas calcinhas e sutiãs sem o menor constrangimento. E calcinhas de renda. O povo de lá não admitia outro tipo de peça íntima. Puta que se preza usa renda, diziam os clientes. Cíntia todas as semanas seguia às lojas de lingeries para satisfazer o gosto da clientela. Calcinhas brancas, azuis ou amarelas. A cor pouco importava, aquele povo queria ver as periquitas se rasgando no palco com muita renda para seu deleite. Já havia até colecionadores, que não se importavam em levar para casa peças espedaçadas e suadas de suas bonecas. E Cíntia ia às compras. Em média três conjuntos por noite para cada moça. A distribuição sempre era feita logo antes de abrirem-se as portas da casa. A quantidade era exatamente igual para todas, para evitar o ciúme das menos belas.
Lupércio contava o dinheiro e Cíntia distribuía a renda. E assim aquela família prosperou e as putas também. A renda na boate Brasil era farta em todos os sentidos. Já é hora de copiarmos esse modelo e aplicarmos em nosso país.

Categorias: Crônicas
05 de abril de 2009, 07:00
Por FAL

A tragédia de Ludimilla

Em 14 de setembro JACOBFOX disse:

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Sentados à terceira mesa do bar Centenário, aquele bem na esquina com a rua Augusta, Jorginho e Walter gesticulavam sem parar. Quem de perto ouvia, quando passava para ir ao banheiro ou para se servir no balcão do bufê, não escutava mais do que resmungos da parte de Jorginho. Com seus 1,60 m de altura, chapéu de couro dos tempos de Getúlio Vargas e calças até a canela para economizar pano, se tornara um traste neurótico. Repetia ele sem parar:
- Walter, não suporto esse barbudo que vem nos atender todos os dias. Sujeito indolente e porco. Veja só o tamanho dos pêlos em sua cara, parece um gorila africano. De hoje não passa. Vou meter-lhe um garfo na cara ou melhor dois, um em cada face, para lhe furar o couro até a garganta. Se não o mato, ao menos terá de raspar essa imundície para encher a cara de pontos. De hoje não passa, essa taberna de piolhos terá seu fim comigo, odeio esses barbudos.
Já Walter, com 20 anos de profética paciência, sabia que o leão a sua frente não era capaz sequer de matar uma mosca, mas preocupado com sua saúde e para isso que era pago, tentava conter o ímpeto daquele velhinho irrequieto de 78 anos e tentava desconversar:
- Jorginho, conte-me da felicidade que terás amanhã, ao ser pai pela 8º vez e já com uma certa idade, né !?
- Sujeito burro, como é que eu vou lhe falar de uma felicidade que eu ainda não tenho, pois a cesariana de Ludimilla é só amanhã. Bicho palha, estúpido. Aliás, não vai haver felicidade alguma, detesto crianças. A partir de hoje não tomo mais Viagra e Ludimilla que se prepare, vou empurrar-lhe goela abaixo não um, mas dois anticoncepcionais todos os dias. E não desconverse Walter, nós estávamos falando sobre essa peste de barbudos que infestam nossa cidade. Temos que formar uma milícia e urgentemente liquidar essas raça de malditos. Pague a conta e vamos embora, já é quase meia-noite e não posso perder o programa Êxtase da CNT.
E assim foram embora, Jorginho apoiado na bengala e no ombro direito de Walter, esse já enjoado do cheiro de cachimbo e das chatices de Jorginho. Dia após dia lá estavam eles no bar, na terceira mesa, com Jorginho esbravejando contra sua chaga - os barbudos. Agora já eram dois os garçons piolhentos que atendiam os clientes.
Passaram-se meses e a rotina continuava. Certa manhã, Walter correndo e ofegante, adentra sozinho e aos gritos no bar Centenário:
- Foram vocês, foram vocês, corja de malditos! Hei de matá-los todos. Jorginho e Ludimilla estão mortos, a culpa é de vocês seus miseráveis.
Após ter quebrado alguns pratos e copos, foi vencido e levado ao chão justamente pelos dois atendentes de barba que tentavam conter sua euforia.
- Calma Walter, diga-nos o que aconteceu. De nada vai adiantar destruir o Centenário para amansar sua dor - tentava confortar-lhe um deles. E assim aos prantos Walter começava a contar a trajetória da vida de Jorginho, seu casamento com Ludimilla e o final trágico daquela união.
Dizia ele: - Há cerca de meio ano Ludimilla teve seu oitavo filho com Jorginho e ele cansado de crianças gritando e chorando todos os dias ao seu lado mandou a Ludi tomar dois anticoncepcionais todo dia. Ela obedeceu e a tragédia se consumou. Todo mundo sabe quando mulher toma anticoncepcional com freqüência. Crescem um pelinhos no rosto parecendo ser um pequeno bigode , coisa bem discreta. Mas com Ludimilla foi diferente. Um efeito colateral súbito fez crescer, da noite para o dia não um bigodinho mas, uma enorme barba que cobria seu rosto até a orelha. Certamente foi a superdosagem do comprimido. Jorginho acordou hoje bem cedo e deu de cara com Ludimilla na porta do banheiro tentando esconder seu rosto. Ele inocente, achando ser uma invasão de barbudos em sua casa, cortou-lhe a garganta com uma gilete. Ela se esvaiu em sangue até morrer. Jorginho escreveu uma carta e se matou em seguida: - “Não posso mais admitir a existência dessa raça. Matei um e me suicidei porque não consigo mais viver nesse mundo de gorilas. Me perdoa Ludi”. - Jorginho não sabia que era sua mulher mas se soubesse, seguramente teria esquartejado a petulante e pendurado os pedaços no varal. Era louco o velho.Teve sorte Ludimilla.
Walter parou de chorar, levantou-se e foi embora procurar emprego.

Categorias: Crônicas
31 de março de 2009, 20:04
Por Fabricio

Filosofia da Mente e Ciências Cognitivas

A Filosofia da Mente apesar de ter seus fundamentos que se confundem com a própria história da filosofia tem seu marco fundamental com o célebre livro The Concept of Mind de Gilbert Ryle de 1949. Esta nova área do saber se inaugura como um campo eminentemente interdisciplinar. Filosofia e avanços científicos se aproximam significativamente.
Novas áreas do saber carecem da reflexão sofisticada da filosofia da mente (de orientação muito próxima à filosofia analítica) tais como psicologia, neurociências, Inteligências Artificial e as Ciências Cognitivas como um todo.
Podemos dizer com grande firmeza que hoje a Filosofia que  não promove um interlocução com os avanços científicos é cega… ao passo que a ciência que não é depurada pela análise filosófica é muito ingênua. Sem embargo, a Filosofia da Mente vai ser a área que vai discutir diretamente as bases teóricas de campos do saber como por exemplo a IA e todas as evoluções tecnológicas derivadas dela.
Argumentos da IA por vezes podem ser fascinates mas, quando estudados a fundo, revelam fragilidades conceituais e teóricas que, para quem promove ciência de ponta, não podem ser desprezados. Pergunto a você: só para me dizeres o que é inteligência, o que é artificial e se é possível criar isso em outro ambiente que não seja o humano (ou de outros animais com aparato cerebral suficiente)… tenho certeza que terias, assim como eu, grande dificuldade! E é justamente aí que entra a Filosofia da Mente que, atualmente vem ganhando um espaço muito interessante também no meio científico-tecnológico.

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Categorias: Crônicas, Regional
31 de março de 2009, 15:24
Por FAL

Inoperância Celestial

Já em 14-08-2000 JACOBFOX disse:

jacob_big

Há 20 séculos o enviado de nosso Senhor Supremo, Jesus Cristo, aterrissou em nosso mundo pela primeira vez. Não foi pouco o sofrimento por ele absorvido na carne e na própria Alma. As aventuras e os ensinamentos por ele facultados foram narradas aos quatro cantos do planeta, para que a espécie humana jamais se esquecesse que a ordem no mundo terreno e a bem-aventurança do homem não haveria senão, através da fé e do amor ao Pai. Foram 33 anos de palavra, fé e milagres para provar que ele não viria em vão.

Jesus retornou ao pai prometendo ao mundo que não haveria segunda chance. Caso o homem não aprendesse e propagasse a palavra de Deus, ele estaria de volta no ano 2.000 para aniquilar a raça humana e iniciar uma nova era de seres crédulos e tementes a Deus. Mas ainda assim não foi convincente o bastante. Guerras, fome, miséria e a falta de amor ao próximo foram constantes nos séculos que se passaram e o ano 2.000 chegou, mas Jesus não. O que realmente aconteceu foi descoberto há poucos anos.

Espiões internacionais descobriram papéis altamente sigilosos na Agência Espacial Americana - NASA - nos quais sabia-se o paradeiro de Jesus Cristo e mantinha-se contato diário com o mesmo. O planeta era Marte e o caso é muito simples. A assessoria divina de conversão de massa, departamento ligado diretamente ao envio de Jesus Cristo a terra, cometeu um erro gravíssimo quando compilou todos os dados e diretrizes para sua viagem ao plano terreno.

Segundo o próprio Cristo informou à Nasa “a justificativa pertinente talvez se dê, por termos terceirizado todos os serviços de comunicações seja transmissão de dados, voz e inclusive conversão de massa”. Por sorte ainda no mundo não temos esse tipo de serviço pois, principalmente no Brasil com a nossa telefonia, se quiséssemos fazer uma viagem com conversão de massa do Brasil ao Japão por exemplo, não seria de estranhar se surgíssemos pendurados pelas calças na antena do telhado de nosso vizinho.

Já no caso de Cristo o mundo teve tremenda sorte. A Nasa somente o descobriu depois que ele conseguiu fazer um enorme rosto na superfície de marte, com a intenção de ser descoberto. E assim aconteceu. A Agência Americana após os primeiros contatos, logo descobriu a intenção de Cristo de por fim a raça humana. Aí o mundo despertou. Chamaram a Rússia, a Europa e outros países detentores da tecnologia atômica para iniciar um processo imediato de desarmamento. Mandaram dinheiro à África, acertaram com o Green Peace, conversaram ao pé do ouvido com Yasser Arafat, não esquecendo de Saddam Russein. Falaram até com os Sem-Terra e Fernando Henrique no Brasil para que esquecessem o orgulho e pensassem no bem coletivo.

Mas ainda falta muito. Enquanto isso Cristo fica esperando carona e via rádio, conversando impaciente com o mundo. E o homem aqui, tentando arrumar rapidinho o que levou 2.000 anos para exterminar. Tomara que um dia ele volte pelos braços do povo, alugue um apartamento no Rio de Janeiro e diga feliz da vida curtindo sua aposentadoria, - Deus é Brasileiro!

Categorias: Crônicas
31 de março de 2009, 14:59
Por FAL

O Lula, Toninho e Ferdinando

Esse texto foi escrito pelo JACOBFOX em 07-AGO-2000.

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Restaram somente os dois. Com a brisa forte raspando a cabeleira de ambos ficaram ali, a beira-mar parados. E o pior: parados, pelados e desdentados. O conselho das mamães de hoje, para que não se ande por aí sem eira e nem beira não lhes seria mais apropriado. Mas em 1498 na era das grandes navegações, do descobrimento do Brasil por Pedro Álvares que, aliás, comentava-se à boca pequena na grande caravela que os trouxe, seria pai Ferdinando Henrique e Antônio Carlos, a coisa não foi diferente. Foram abandonados pelo defeito de um.

Ferdinando Henrique (ou seria Fernandinho beira-mar) ficava pavoroso quando no navio os convivas se banqueteavam com frutos do mar e as delícias do paladar marinho. Gostava mesmo era de carne de papagaio. Mas seu pavor nauseante se dava quando, aos montes, se consumia a lula. Pouco se sabe, mas nessas longas viagens dos descobridores pelo mundo, os navegadores elegiam o prato principal a ser saboreado pela tripulação durante toda jornada.

Para a viagem ao Brasil seriam dois pratos diferentes em duas eleições. Não para Ferdinando. Comer o Lula, como assim chamava, dizendo não saber o sexo do bicho por nunca tê-lo visto, seria como comer bálsamo com fermento, coisa indigesta e repugnante. Ganhou a primeira eleição, articulou para que se alterasse o regimento do navio permitindo a reeleição do prato e papou a segunda. Resultado: Comeram papagaio a viagem toda. Carne forte e estimulante - segundo ele.

Na chegada foi expulso porque a carne de papagaio não sustentou e tampouco inspirou os descobridores a buscar novos itinerários.Pedro Álvares, puto e desnutrido, abandonou-o a cinco quilômetros da praia de Porto Seguro e retornou a Portugal sem, ainda dessa vez, pisar na terra brasilis. Deixou também Antônio Carlos, o Toninho Malvadeza, para que ajudasse Ferdinando em sua busca pelo desconhecido. Logo no primeiro dia, Toninho achou um índio muito hospitaleiro de nome Éfe Emeií de quem lhe pegou cocos e alguns pares de papagaios emprestados. Passou o tempo, como não sabiam subir em coqueiros e muito menos caçar, pagaram com as roupas e os dentes de ouro. Ferdinando desdentado já delirava sem parar - Ai que saudades do lula.

E assim ficaram os dois pelados lado a lado, esperando quem sabe, o Éfe Emeií voltar…

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